A era da privacidade: o que esperar do futuro das redes sociais?

13 de janeiro de 2020
PUBLICADO EM blog
13 de janeiro de 2020 Marcelo Rama

Nos dois últimos anos, o papel da privacidade no futuro das redes sociais tem sido um assunto bastante debatido. Afinal, até alguns anos, essas tecnologias não eram tão populares e o seu poder ainda não tinha sido percebido pelas empresas, pelas pessoas e pelos governos.

Desse modo, não havia leis suficientes para regular a utilização dos dados dos usuários. Também, na empolgação inicial das possibilidades comerciais trazidas por elas, muitas empresas ultrapassaram alguns limites éticos.

Então, a discussão sobre privacidade dominará a Tecnologia da Informação até que encontremos um equilíbrio entre o alcance das novas mídias e a intimidade das pessoas. Quer entender melhor esse cenário? Acompanhe o nosso post!

Quais são as novas ferramentas que estão desafiando a privacidade na Internet?

Nos últimos anos, o marketing digital evoluiu bastante e várias ferramentas foram criadas para melhorar a relação com os consumidores. A seguir, explicamos as principais delas e sua relação com a privacidade!

Questionários

Hoje em dia, os internautas estão sendo bombardeados por questionários digitais. De certa forma, isso é bastante positivo, pois demonstra o esforço das empresas em criar produtos que atendam às suas necessidades, em melhorar a qualidade do atendimento e em personalizar a experiência de compra.

No entanto, isso apresenta um desafio muito grande, pois bastantes dados pessoais sensíveis são requisitados, como idade, cor, etnia, orientação sexual, CPF e número da carteira de identidade. Então, os negócios precisarão investir bastante em ferramentas para manter esses dados anônimos e evitar invasões nos bancos de dados.

Além disso, precisarão explicar para os usuários a finalidade daquele questionário e se comprometer em não compartilhá-lo fora dos limites estabelecidos pelo termo de consentimento.

Digital Influencers

As mídias sociais permitem um contato muito próximo entre os usuários. Nesse contexto, surgiu a figura dos influenciadores digitais. Eles compartilham fotos e vídeos sobre o seu dia a dia, além de dar dicas de produtos para os seus seguidores, os quais podem interagir diretamente com eles.

Isso facilita bastante a vida do marketing e do próprio usuário. Afinal, o influencer realmente utiliza os produtos divulgados nos seus canais, e sua reputação está intimamente ligada com a confiabilidade das suas dicas. Desse modo, o consumidor pode ter informações mais fiéis e personalizadas para o seu perfil.

Por outro lado, essa proximidade gera o compartilhamento de muitas informações pessoais. Então, é preciso que os influenciadores e as marcas tomem medidas para evitar o uso indevido de dados. Por exemplo, os diálogos entre o seguidor e o influencer não podem ser compartilhados com as empresas sem autorização.

Links com direcionamentos para lojas virtuais

Os links com direcionamentos para lojas virtuais podem parecer inocentes, mas eles envolvem o compartilhamento de muitos dados pessoais. Quando uma pessoa clica em um anúncio nas redes sociais, o anunciante poderá ter acesso ao seu sexo, localização, idade, raça etc.

Isso facilita a segmentação das estratégias de marketing, mas pode violar a privacidade do indivíduo caso sua companhia não tenha uma política que estabeleça limites éticos para o uso das informações. Senão, pode ocorrer uma violação da LGPD.

O que o passado diz sobre o futuro das redes sociais?

O ano de 2019 representou uma grande crise para a maior empresa de rede social atual, o Facebook. Em um escândalo de grandes proporções, investigações descobriram que ela estava monitorando e vendendo dados dos usuários sem o devido consentimento.

Isso teve um impacto significativo nas eleições americanas. Afinal, a campanha de Trump contratou os serviços de uma empresa de Big Data chamada de Cambridge Analytics. Ela monitorava grande parte das interações virtuais dos usuários do Facebook, traçando um perfil dos eleitores e definindo quais assuntos eram mais sensíveis para eles.

A partir disso, era possível direcionar conteúdos — muitas vezes, fake news — que teriam maior repercussão entre eles. Por exemplo, notícias que caracterizavam a candidata Hillary Clinton como “abortista” ou “infanticida” eram enviadas para o público evangélico, enquanto difamações sobre desvio de verba de programas sociais eram enviadas para negros de baixa renda.

Desse modo, foi possível fazer uma campanha eleitoral muito bem segmentada para cada público. Teoricamente, isso seria muito bom, porém todos os dados explorados não foram autorizados pelos usuários. Ou seja, foi uma grande invasão da privacidade das comunicações.

A partir de então, descobriu-se que estratégias semelhantes estavam sendo usadas com finalidades comerciais, nos anúncios digitais. Diante disso, o presidente e criador do Facebook, Mark Zuckerberg, foi convocado ao Congresso Americano para prestar declarações.

O que os gurus da Internet têm dito sobre o assunto?

O próprio Zuckerberg, em uma apresentação na principal feira de tecnologia americana, disse que “o futuro das redes sociais é privado”. Mas o que ele quis dizer com essa frase enigmática? Esse foi praticamente um pedido de desculpas para os usuários e uma promessa de que seus dados serão protegidos.

Nos últimos meses, o Facebook tem investido bastante na proteção das informações dos usuários. A todo o momento, eles são avisados sobre a possibilidade de coleta de dados, sobre a importância da privacidade para a empresa e sobre os direitos dos titulares.

Mas isso não é somente uma “bondade” das mídias sociais. A legislação sobre a privacidade dos dados pessoais também tem evoluído bastante. Em 2016, a Europa desenvolveu um marco regulatório avançadíssimo sobre o assunto, a Regulamentação Geral de Proteção dos Dados, conhecida popularmente pela sigla GDPR.

Grande parte dos seus dispositivos foram importados por uma lei brasileira, a Lei Geral de Proteção dos Dados (LGPD). Ela busca proteger todos os usuários que estão dentro do nosso território nacional, estabelecendo diretrizes para o uso de dados.

De acordo com ela, qualquer transação de informações pessoais pela Internet deve ser autorizada pelo usuário de forma clara e inequívoca. Desse modo, não basta colocar em letras miúdas nos longos termos de usuário a possibilidade de uso dos dados.

Essas autorizações genéricas serão consideradas nulas. Assim, a rede social só poderá usar os dados se especificar detalhadamente quais dados está coletando e qual serão suas finalidades. Além disso, o titular poderá revogar, a qualquer momento, o consentimento dado e pedir a retirada dos seus dados pessoais de banco de dados compartilhados.

Esteja presente nas redes sociais!

Contudo, as empresas precisarão se adaptar ao futuro das redes sociais. Elas trazem bastante benefícios, mas trazem também muitos desafios — principalmente em relação à privacidade. Para evitar uma imagem negativa e a falta de conformidade com a lei, sua empresa precisará investir bastante na proteção do usuário. Como o próprio Zuckerberg disse: o futuro é privado.

Quer saber mais sobre a importâncias das novas mídias na sua estratégia comercial? Então, acompanhe os nossos posts nas suas redes sociais Facebook, Instagram e LinkedIn!